Há algo particular que acontece quando a rotina desacelera. Quando os telefones diminuem o ritmo, as agendas passam a ter outra dinâmica e as conversas deixam de ser operacionais para se tornarem estratégicas. Foi exatamente isso que se viveu durante os dois dias da Cumbre Gerencial ALAS 2026, em Cancún.
Tudo começou com uma imagem difícil de ignorar: o pôr do sol sobre o cocktail de boas-vindas VIP, enquanto líderes de toda a região voltavam a encontrar-se presencialmente. Não foi apenas um brinde. Foi o ponto de partida de um espaço onde as conexões ganham outro valor, onde as conversas deixam de ser transacionais e começam a construir visão.
A abertura oficial rapidamente definiu o tom do encontro. A keynote de Karla Huerta apresentou o conceito de “Mindset Unicórnio”, um convite para pensar além dos limites conhecidos, questionar o estabelecido e assumir que o crescimento da indústria já não responde a fórmulas tradicionais. Mais do que uma palestra, foi um chamado para elevar a forma de liderar.
Essa mensagem encontrou eco nas palavras de Daniel Banda, que, no seu duplo papel como presidente da ALAS Internacional e CEO da SoftGuard, propôs algo tão simples quanto pouco habitual: parar. Sair do modo operacional para voltar ao essencial — pensar, conectar e decidir com perspectiva. Uma ideia que atravessou toda a Cimeira.
O corte da fita não foi apenas um ato protocolar. Funcionou como símbolo da abertura de um espaço onde, durante dois dias, seriam colocados em debate os principais desafios, oportunidades e tensões que atualmente atravessam a indústria da segurança.
A agenda avançou com uma premissa clara: provocar algum desconforto para evoluir. Nesse contexto, a participação de Laura Alcas, com a palestra “O risco diante dos seus olhos”, trouxe uma visão direta e próxima sobre aquilo que muitas vezes passa despercebido. A sua abordagem conectou-se com o quotidiano, mas com implicações profundas, gerando reflexão para além da sala.
Também houve espaço para reconhecer trajetórias marcantes. A homenagem a Daniel Banda como presidente cessante da ALAS destacou não apenas a sua gestão, mas também um período de consolidação e crescimento da Associação, reforçando a ideia de continuidade e evolução.
Durante a tarde, a discussão ganhou uma perspetiva mais global. O painel sobre geopolítica e segurança deixou claro que os desafios atuais já não podem ser analisados de forma isolada. Nesse contexto, a participação de Hernán Cerimedo trouxe uma visão concreta sobre o desenvolvimento de cidades seguras e conectadas na América Latina, integrando tecnologia, operação e estratégia num mesmo eixo.
O encerramento do primeiro dia rompeu com o formato tradicional. O Desafio ALAS acrescentou dinâmica, interação e colaboração, demonstrando que a aprendizagem também pode ser construída de forma lúdica sem perder profundidade.
O segundo dia retomou a intensidade desde cedo. Corredores movimentados, reuniões em andamento, demonstrações ao vivo e conversas que davam continuidade ao que havia começado no dia anterior. Para além da agenda formal, foi nesses espaços que o verdadeiro valor do encontro se consolidou.
O stand da SoftGuard tornou-se um desses pontos onde as ideias ganham forma. Profissionais de diferentes países aproximaram-se com um interesse comum: compreender como adaptar-se a um cenário cada vez mais exigente, onde integrar tecnologias, otimizar operações e escalar serviços deixou de ser uma vantagem competitiva para tornar-se uma necessidade.
Cada interação confirmou algo que pairou sobre toda a Cimeira: a indústria vive um momento de transformação real. E essa mudança não acontece apenas nas conferências, mas em cada conversa, em cada troca de ideias e em cada decisão que começa a ser construída nesses espaços.
A Cumbre Gerencial ALAS 2026 não é apenas um evento. É um ponto de encontro onde visões se alinham, ideias são desafiadas e o futuro é projetado.
E, se algo ficou claro nestes dias em Cancún, é que esse futuro já não se espera. Constrói-se, conversa após conversa.


